DIETA DO PALEOLÍTICO (Paleo diet) - "DIETA DA MODA", ERRO DE DENOMINAÇÃO OU AVANÇO ALIMENTAR? PREFIRO FALAR EM NUTRIÇÃO DO PONTO DE VISTA GENÉTICO

A Dieta do Paleolítico em análise

Não tenho qualquer dúvida que uma das características da actual espécie humana é a de que o seu comportamento é muito mais determinado pelas modas (factor imitação), do que por qualquer espécie de racionalidade. E isso é particularmente verdade em matéria de alimentação, onde, nem as modas nem a racionalidade deveriam ditar coisa alguma, mas antes um instinto primordial devidamente preservado e que poderíamos denominar SABEDORIA INTRÍNSECA.
Pois bem, uma das últimas modas alimentares que, como não podia deixar de ser, nos chega dos States, onde sempre estão a descobrir o já descoberto, mas com uma roupagem de marketing nova e eficaz, é a denominada DIETA DO PALEOLÍTICO ou "Paleo Diet".
Esta "dieta" faz uma espécie de reporte histórico, melhor, pré-histórico, para essa longinqua época conhecida como a "idade da pedra antiga", sublinhando ter sido esse o período em que os humanos foram os mais "performantes" enquanto espécie e,  isso,  por ser o momento em que a espécie, também, melhor adequou a sua alimentação às suas necessidades fisiológicas.
Os mentores de tal dieta, ao estabelecerem o seu marco histórico no Paleolítico, parecem fazê-lo intencionalmente em detrimento da época seguinte, o Neolítico, ou "idade da pedra recente (nova)" por esta última sugerir já o período dos avanços tecnológicos mais significativos e o início da própria sedentarização, com a sequente domesticação de plantas e animais e alterações na dieta básica que teria perdurado nas anteriores centenas de milhares de anos e à qual nos tinhamos adaptado de forma definitiva.

Este é, talvez, o erro conceptual que podemos assacar a essa nova moda da dieta do paleolítico. Porquanto, no que respeita às suas vantagens do ponto de vista da alimentação com vista à saúde e preformance humana, não poderíamos estar mais de acordo com ela.

Se bem que a domesticação de animais e plantas tenha trazido, nalguma medida, uma nova pressão sobre os nossos genes, sobretudo porque alguns desses alimentos, agora produzidos pelos humanos, começaram a ser armazenados, e consumidos não frescos e com algumas alterações significativas na sua estrutura bioquímica, como resultado da utilização de novas técnicas de conservação (processos enzimáticos como a fermentação),  a verdade é que foi com a entrada do Neolítico (12.000 A.C. e termina por volta de 4.500 a 2.500 A.C.) que a espécie humana obteve a sua melhor aptidão e tcnologia, até então conhecida, para caçar e obter alimento do meio envolvente. E não existe qualquer dado científico que aponte para o facto de os humanos do período anterior serem mais saudáveis e performantes, antes pelo contrário.
Algumas dessas comunidades neolíticas chegaram, praticamente, até aos dias de hoje, sendo que alguns dos que mais contribuiram para o melhor conhecimento da nossa dieta genética tiveram, ainda, oportunidade de as estudar em pleno século XX (Weston Price, Loren Cordain, S. Boyd Eaton). Daí que seja um erro conceptual pretender reportar-se a dieta do paleolítico, pelo menos como Cordain e Boyd Eaton no-la construiram, a esse período da idade da pedra antiga.
Ainda hoje no mundo podemos encontrar comunidades, é certo que cada vez mais raras, com uma alimentação neolítica preservada e praticamente desconhecedoras das doenças degenerativas que acossam as populações dos denominados países mais desenvolvidos. Foi esta dieta chamada "civilizada", "alimentação do homem branco", que, iniciou o desfasamento alimentar genético, pressionando os nossos genes a um nível nunca antes visto e que de alguma forma nos está a colocar numa posição de fragilidade, doença e infertilidade.

Para nós, o maior "erro" alimentar "evolutivo" aconteceu no momento em que os humanos começaram a cultivar intensivamente os cereais, afastando-se, então sim, da sua matriz genética, construída ao longo de centenas de milhares de anos. Matriz essa que assenta na sua qualidade de caçadores recoletores, em que a obtenção de presas animais de largo porte e riqueza alimentar das mesmas robusteceram o seu cérebro e o seu sistema imunitário e tornaram as suas células naquilo que elas ainda hoje são.

Curiosamente, ou talvez não, já Júlio César, referindo-se às Guerras Gálicas (58 a 50 A.C.), havia de realçar, ao escrever acerca das razões da dificuldade de vencer os bárbaros, que a principal era, exactamente, por estes ainda não terem iniciado a toma de cereais que, no entender dele, conduzira a um crescente enfraquecimento dos soldados romanos. A realidade é que, nessa altura, há pouco mais de 2.000 anos atrás, a maior parte da Europa, ainda, permanecia numa dieta de caçadores recoletores. Quem se preocupa em cultivar cereais para se alimentar, que exigem um trabalho exaustivo e muitas vezes improdutivo, se tiver abundância de recursos naturais de caça e de plantas e frutos silvestres?

Daí que seja um manifesto erro conceptual e de falta de rigor científico atribuir áquele período do paleolítico a dieta que decididamente os nossos genes estão disponíveis para aceitar de forma a termos saúde e vitalidade transbordantes.
Mas não me interpretem mal, a "dieta do paleolítico" na raiz construida por Boyd Eaton e Lorden Cordain e, antes deles, por Weston Price e Jean Signalet, tem claras mais valias relativamente ao desastre nutricional propugnado oficialmente nos nossos dias e é sem dúvida uma orientação de excelência, em termos gerais, para o regresso a uma dieta geneticamente adequada. Isto sempre que não nos deixemos "arrastar" pelo "comércio dietético e nutricional" que entretanto se construiu à volta dela. Com imensos livros, revistas, sites a darem conselhos "culinários" acerca da mesma. Na verdade, SE TEM CULINÁRIA JÁ NADA TEM DE GENÉTICO. E este é um postulado que poucos estarão dispostos a aceitar!

Eu, a essas denominações de moda de "Dieta do Paleolítico", ou mesmo do Neolítico, prefiro chamar-lhe tão somente a NUTRIÇÃO DO PONTO DE VISTA GENÉTICO e melhor ficaria, ainda, chamar-lhe tão somente ALIMENTAÇÃO HUMANA. Isto tem à partida duas vantagens: primeiro, não fechamos a dieta humanamente adequada em definitivo num determinado período histórico, como se negassemos a possibilidade de nos continuarmos a adaptar a novos alimentos, numa altura em que, sobretudo, eles nos chegam dos quatro cantos do planeta; segundo, o que está em causa é isso mesmo, alimentos que os nossos genes possam identificar como sendo saudáveis, adequados e potenciadores da nossa performance física e mental, garantindo assim o nosso bom posicionamento na cadeia alimentar e a nossa sobrevivência enquanto espécie.
Mas porquê que temos hoje que dar um qualquer nome à nossa dieta e não falamos apenas de alimentação humana? A razão é muito simples: somos a única espécie que em virtude da nossa "racionalidade" perdeu, em grande medida, o instinto e hoje, a maioria das pessoas, sobretudo nos países mais industrializados, já não faz a menor ideia daquilo de que se deve alimentar. A ciência também tem pouco ajudado nisso, com a área nutricional mais assente na "invenção" do que em verdadeiro conhecimento, isto é, instinto geneticamente registado. Por outro lado, temos uma máquina comercial verdadeiramente assustadora que cada dia cria uma nova denominação de dieta para problemas específicos, com vista a maximizar lucros. Como se a verdadeira alimentação humana tivesse que ser complexa e não fosse, por si só, a ideal para nos dar a máxima saúde e preformance.

A "revolução dos cereais", aquela que permitiu "alimentar" uma população que não pára de crescer, é a mesma que os nossos genes acusam de os estar a tentar destruir e isso nada tem que ver com o Paleolítico. Muitas das populações em todo o mundo que conseguiram manter os hábitos alimentares neolíticos preservados (carne, peixe, ovos, legumes e frutas) chegaram até aos nossos dias fortes e saudáveis (Papua Nova Guiné, Amazonas) e demonstram, ainda, toda a beleza e esplendor da espécie humana. Os outros, os comedores de cereais, os comedores dos alimentos transformados pela indústria alimentar, cada vez mais se assumem como parecendo uma espécie distinta, doente, fraca e frágil em que as marcas da degeneração são claras e manifestas. Tal como Weston Price sublinhou na sua obra "Nutrition and Physical Degeneration", magnífica obra, odiada por tantos (pelos mesmos que querem enriquecer à custa da nossa doença), a mudança alimentar para os cereais, sobretudo os refinados, açucares e alimentos industrializados, tem-nos deformado os maxilares, tornando-os cada vez mais estreitos e incapazes de comportar a normal dentadura, tem-nos destruído os ossos, tornando-os mais frágeis pela descalcificação decorrente da acidificação que a nossa alimentação produz no nosso corpo e têm vindo a encolher os nossos cérebros e a produzir uma epidemia de diabetes e doenças metabólicas, o que pode muito bem estar por detrás de estarmos todos, cada dia, um pouco mais loucos.

Mas realmente o caminho para nos sentirmos melhor e termos um corpo mais saudável e atlético não está no regresso ao Paleolítico, mas sim no retorno a uma alimentação totalmente natural. Por isso, cada dia que passa e que vamos permitindo que nos vão destruindo as fontes alimentares primárias e nos conduzam, cada vez mais, para uma alimentação que encha os bolsos à indústria alimentar que nos altera e destroi os alimentos, estamos perdendo a batalha pela defesa intransigente do DIREITO À VIDA, a essa VIDA que é legado ancestral dos nossos antepassados que o deixaram escrito de forma indelével nos nossos GENES.
Se queremos defender esse nosso direito fundamental à vida, isto sem recorrermos a estereótipos ou dietas da moda, pensemos sempre que os alimentos, conforme a natureza no-los apresenta e provenientes de culturas tradicionais, são, certamente, aqueles com que os nossos genes melhor se identificam. E os nossos genes, esses antepassados nossos que vivem em nós e através de nós e todos os dias nos ajudam a manter fortes e saudáveis, precisam dos alimentos a que se habituaram durante centenas de milhares de anos. Os mesmos que nos garantiram a sobrevivência enquanto espécie.


Esses alimentos são os que eu aconselho para uma alimentação geneticamente adequada:
1º - Coma toda a proteína de alta qualidade (carne de animais de pastagem, ovos de aves criadas ao ar livre, peixes de mar) que possa (a minha regra de ouro ronda as 1,5 a 2 grs por kg de peso/dia para mulheres e homens respectivamente). Isto vai dar indicações ao seu corpo para se manter magro, queimar gordura e controlar o apetite;
2º - Coma gordura saturada ( a sua principal fonte de ácidos gordos) presente na carne, nos ovos e no peixe e beneficie ainda das gorduras polinsaturadas ( a sua fonte secundária e residual de ácidos gordos) presentes em alimentos naturais, de boa proveniência. Na verdade, a gordura não o faz mais gordo, pelo contrário, esta gordura natural, desde que não seja adulterada pelo excesso de calor (o calor em excesso oxida a gordura, desnatura as proteínas e elimina as vitaminas e os enzimas), ou hidrogenada (no caso das margarinas vegetais), vai ajudá-lo a queimar gordura e dá-lhe energia constante durante todo o dia, sem lhe alterar os padrões da glicose e da insulina;
3º - Tome bastantes alimentos crus todos os dias, dando preferência aos legumes orgânicos e às frutas biológicas de baixo teor de frutose;
4º De resto faça exercício físico de preferência diariamente e hidrate devidamente o seu corpo (Refrigerante não hidrata, mata). Faça da água o seu "refrigerante" favorito!
5º Ah e divirta-se!
Já agora, tenha um pouco de paciência e veja este documentário de "fio a pavio". Verá que não é perda de tempo!
Ver aqui: The Perfect Human Diet.

Alimentos da Dieta do Paleolítico
Data do Artigo: 
Segunda, 28 Abril, 2014
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Sobre o autor

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Antonio Marcos, is a university teacher and writer on holistic health. He is founder, professor and president of Instituto Português de Naturologia and runs a group of clinics - Dr. Marcos Blood Diet Clinic - where is implemented his own holistic approach to Natural Medicine based on genetics and the healthiest diet that mimics the diet of our remote ancestors which print our DNA