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COLESTEROL - A “substância maldita” ou apenas mais uma das aberrações clínicas dos nossos tempos e o fruto de mais de 30 anos de conselhos das Ciências da Nutrição?
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1º DOS “DISPARATES” ÀS “FALSIDADES”
Nunca se disse tanto disparate sobre uma qualquer substância como se vem dizendo sobre o colesterol. Trata-se de um verdadeiro concurso, destinado apenas a profissionais da saúde, para ver quem consegue ir ainda mais longe, nas alucinações que sobre ele a dita “comunidade científica” tem afirmado nos últimos 50 anos e que mais não têm servido do que para promover a indústria farmacêutica e os seus anticolesteremiantes e a indústria alimentar e os seus “alimentos funcionais” para reduzir o colesterol (talvez deva ler-se, antes, “alimentos disfuncionais”).
Um dos despropósitos que mereça um lugar cimeiro neste infeliz concurso, é a recente sugestão da American Academy of Pediatrics (Associação Americana de Pediatras) de pedir aos seus médicos associados que comecem a prescrever medicamentos anti-colesteremiantes a crianças com oito ou mais anos de idade. Razão? Estas crianças estão cada dia a ficar mais obesas (como os pais) e a apresentar níveis supostamente elevados de colesterol. Obesidade não muito diferente daquela que está a assolar, cada dia que passa mais e mais, as crianças portuguesas (e os adultos também).
A questão do colesterol excessivo, não é concerteza nenhum disparate do ponto de vista da saúde e não o é concerteza, também, do ponto de vista económico porquanto, afinal, envolve dinheiro, muito! É que exactamente o Lipitor, uma droga anti-colesteremiante, era em 2006,de acordo com a revista Forbes, o medicamento mais vendido nos EUA (http://www.forbes.com/2006/02/27/pfizer-merck-genentech-cx_mh_0224topsellingdrugs.html ).
Talvez valesse a pena, também, referir a história do colesterol ao nível das análises clínicas e de como ao longo dos últimos 50 anos os níveis máximos de colesterol total tidos como normais têm vindo a “encolher” substancialmente desde uns 230 mg/dl até, nalguns laboratórios, uns escassos 190 mg/dl para adultos saudáveis. É que, se as drogas cada dia reduzem mais os níveis de colesterol (isso sim à custa da saúde geral dos pacientes), e é preciso continuar a vendê-las, então, a solução, é baixar o nível máximo de colesterol. Mas este é um outro tema. Voltemos ao nosso.
Acautelem-se pois os pais para a hipótese de, mais dia menos dia, o pediatra do vosso filho, na linha do que “de melhor” se faz na América, vir também aconselhar alguma droga para reduzir o colesterol da pequena vítima.
Aliado ao anterior disparate está um outro, não menos importante, pelo menos em desfaçatez. O de que o dano que o colesterol elevado poderá causar ao sistema cardiovascular é inevitável e que há que prestar sobretudo atenção ao denominado “colesterol mau” (algo tinha de ser o mau da fita) ou LDL (do inglês Low-density lipoprotein) que idealmente se deveria situar no máximo de 115 mg/dl. Neste sentido, veja-se o site português dum Laboratório Farmacêutico http://www.pfizer.pt/saude/cardio_col_verda.php onde aparece o seguinte “FACTO: o colesterol elevado é um dos mais importantes factores de risco para o desenvolvimento de doenças cardíacas”. A informação vertida nos mais diversos meios de comunicação, não deixa margem para dúvidas e muito menos aos fabricantes de produtos alimentares sempre preparados para fazer sair mais um yougurtinho ou uma margarinazinha “assassina do colesterol” - o colesterol mata. Nenhum médico ousará não pedir, nas análises de rotina dos seus pacientes, os valores do colesterol, para saber acerca do seu risco aterogênico. Porém, assinale-se, também, que são raríssimos aqueles que, nessas mesmas análises, pedem o que verdadeiramente é relevante para prevenir esse mesmo risco.
Parte-se logo de premissas erradas, como se houvesse uma parte do colesterol que fosse má e como se esta parcela do colesterol não fosse imprescíndível, como efectivamente o é, e portanto, também, boa, para os nossos processos fisiológicos, nomeadamente a síntese de esteróides. Este erro só é comparável com aquele outro que se pretende transmitir à população de que o risco de problema cardiovascular tem no colesterol um dos seus principais causantes, ou como se diz, ainda, no referido site, “Se o seu nível de colesterol é superior a 190 (e se o LDL estiver acima de 115 mg/dl, como se vê ainda no referido site), significa que tem um risco maior de doença cardíaca”. NADA DE MAIS FALSO! Num magnífico estudo, que avaliou uma população indígena (Kitava) da Papua, Nova Guiné, podemos ler que os indíviduos investigados, 40% dos homens e 60% das mulheres, apresentavam níveis de colesterol LDL ≥ a 132 mg/dl, sem apresentarem, só por isso, qualquer incidência de hipertensão, doença isquémica ou AVC – Lindeberg, S., Nilsson-Ehle, P., Terént, A., Vessby, B.,Scherstén, B.: Cardiovascular risk factors in a Melanesian population apparently free from stroke and ischaemic heart disease - the Kitava study. Journal of Internal Medicine, 1994, 236:331-40
Bom, talvez mais falso do que isto, só duas outras ideias que hoje se encontram perfeitamente assimiladas pela opinião pública. Aquela de que se necessitam anticolesteremiantes para tratar o colesterol elevado (definido pelos parâmetros estabelecidos pelos laboratórios), ou aqueloutra de que “para reduzir a gordura do sangue é importante...criar hábitos alimentares saudáveis, que passam por uma alimentação com baixo teor de gorduras animais (carnes vermelhas) e aumento do consumo de peixe, legumes, frutas e cereais”, “...coma pão e cereais integrais e mais frutas e legumes” (idem site). Neste sentido e sob a égide de “coma bem, viva melhor”, também, a Sociedade Portuguesa de Ciências da Nutrição disponibiliza no seu site (http://www.spcna.pt/noticias/?imc=9n&fmo=ver¬icia=261&flg_psq=true ) informação sobre alimentação saudável, assente no que denomina a nova roda dos alimentos, onde podemos ler, como “conselhos saudáveis”, a toma de 4 a 11 doses diárias de cereais e derivados, tubérculos e 2 a 3 porções de lacticíneos, pois como aí ainda se afirma "Segundo dados recentes (World Health Report, 2002), a alimentação constitui directa ou indirectamente o principal factor de risco de patologias crónicas como o cancro, doenças cardiovasculares, diabetes ou osteoporose." Partindo desta famosa roda dos alimentos, aconselha-se no site a “comer maior quantidade de alimentos pertencentes aos grupos de maior dimensão e menor quantidade dos que se encontram nos grupos de menor dimensão”. Ora na dita roda aparecem, num quadro sobredimensionado, os cerais (pão, massas, corn flakes) e as batatas, seguindo-se um quadro de cerca de 2/3 deste com os lacticíneos (leite, iogurte, queijos) e num quase microscópico quadro, a carne, o peixe e os ovos. A roda é completada com legumes, frutas, óleos e leguminosas.
Ou seja, no culminar de quase 40 anos de conselhos das Ciências da Nutrição que, diga-se em abono da verdade e da responsabilidade, levaram à mudança de hábitos alimentares ancestrais da população, sob o pretexto de que a “ciência é que sabe”, persiste-se “despudoradamente” na indicação de toma de ALIMENTOS QUE LEVARAM A NOSSA POPULAÇÃO À OBESIDADE E ÀS DOENÇAS DEGENERATIVAS, MORMENTE AS CARDIOVASCULARES .
A questão alimentar, sabemo-lo desde sempre e, também, hoje do ponto de vista da melhor ciência que se faz no mundo, é de fulcral importância na nossa saúde em geral e, desde logo, na alteração dos nossos níveis de colesterol. Não pela quantidade de colesterol presente nos alimentos, na verdade apenas em 5% das pessoas com níveis substancialmente elevados de colesterol se podem ligar aqueles à presença deste nos alimentos, mas essencialmente pelo transtorno que alguns alimentos induzem ao nosso metabolismo, alterando profundamente a função hepática, desta forma promovendo uma maior produção hepática de colesterol, ora despoletando graus variáveis de resistência à insulina, nos quais o colesterol vai funcionar como elemento protector de artérias e veias. É pois hora de, entre outras coisas, aqueles que de há 30 anos vêm alarmando o público em geral sobre a ingestão de ovos e o pânico do colesterol, apresentarem publicamente o seu pedido de desculpas por haverem retirado esse alimento extraordinário (desde logo se eles forem de boa proveniência, isto é, caseiros, biológicos ou ricos em DHA) de presença habitual no menu dos portugueses e, em sua substituição, lhes haverem aconselhado lacticíneos e cereais, que lhes roubaram a saúde e hoje alimentam a consulta das doenças degenerativas.
Do ponto de vista da intervenção que fazemos no domínio da Medicina Ortomolecular e, em particular, do nosso método Blood Diet, que mais não é do que aquele que pugna por que façamos a alimentação/dieta para a qual fomos geneticamente desenhados, dizemos BASTA a tanta malinformação, desinformação e malformação.
2º DO PROBLEMA À SOLUÇÃO
Sabendo então, que a questão do colesterol está realmente ligada à toma de alimentos genética e metabolicamente errados, é exactamente aqui que este tema se torna hoje intensamente alvo de manipulação por parte de bem e mal-intencionados.
A pergunta recidivante entre os pacientes, neste e noutros problemas de saúde, é: mas com tantos conselhos nutricionais e dietas de moda, todos eles pretensamente sérios e científicos, o que fazer?
Aqui, o problema ganha hoje foros de total irracionalidade. De um lado encontram-se poderes estabelecidos que com base em autodenominados critérios científicos nos sugerem soluções alimentares, rodas, pirâmides e outros geometrias diversas, como sendo aquelas que sacrossantamente deveremos adoptar, mesmo que a ciência mais recente os desautorize. Estes são os mesmos que destruiram o conhecimento alimentar ancestral das populações e as conduziram ao estado de saúde deplorável em que se encontram e aos quais, embora não a assumam, será difícil negar a evidência da sua responsabilidade. De outra parte, estão aquelas que eu chamo as Confissões Nutricionais que, apelando sobretudo à fé e à devoção dos seus acólitos, pretendem deter a verdade absoluta sobre o que devemos e não devemos comer, reinventando a nossa alimentação ideal, pouco lhes interessando, também, aquilo que entretanto os mais actuais estudos antropológicos nos referem acerca da adaptação própria da nossa espécie ao meio ambiente e aos alimentos ao longo do tempo, factor que marcou decisivamente a nossa genética. São questões de natureza filosófica ou de prevalência sectária (leia-se de seita) que lhes norteia a motivação e a razão. Finalmente, aparecem-nos os “gurus” da moda que trazem sobretudo dietas para perda de peso, sem qualquer preocupação pela saúde, e cuja intenção é tão sómente colocar o seu novel livro na prateleira dos bestsellers e arrecadar, naturalmente, os benefícios daí decorrentes. Bom, é verdade, há um último grupo que é o daqueles, que tentando navegar entre a “ciência” e a “fé” e, desacreditando de ambas, fazem as famosas recomendações alimentares, ora assentes na pseudo-ciência, ora na “fé”, depois de um conjunto de lugares comuns nutricionais retirados apressadamente de fontes diversas e não todas impolutas, recomendam aos seus pacientes soluções para por eles serem seguidas durante a semana, entregando-os ao completo desvario durante um ou os dois dias do fim-de-semana, sob a égide de “a semana é minha e o fim-de-semana é seu”, sem cuidarem minimamente de aperfeiçoar o seu conhecimento acerca daquilo que é hoje um dado incontornável, de que existem alimentos que nos são inadequados e outros que são mais adequados a umas pessoas e menos ou totalmente inadequados a outras e de que a nossa genética é o único critério sério e credível determinante da nossa alimentação.
Em conclusão, aquilo que sempre foi o legado mais precioso transmitido de pais para filhos, os alimentos, passou a ser para nós, nos tempos de obscurantismo desinformativo que vivemos, um verdadeiro drama, porquanto o que muitos nos dizem está errado (e cada dia a ciência nos faz mais e mais o desenho - o ovo era mau, agora é saudável, a carne era a causadora de todas as doenças e afinal não é assim, os cereais eram saudáveis e afinal estão na primeira linha das desgraças da nossa saúde) e já de pouco nos serve questionar os nossos pais ou os nossos avôs sobre o que comer. Eles já “não arriscam” dar a sua opinião, porque nós agora “sabemos de tal forma mais do que eles” que até lhes conseguimos retirar alguns dos bons hábitos alimentares que lhes foram legados (veja-se p.ex. como conseguimos convencer pessoas idosas que nunca tomaram leite a iniciar a sua desastrosa toma) . Numa coisa todos concordamos, pelo menos os bem intencionados, AS DOENÇAS DEGENERATIVAS SÃO FRUTO DE UMA ALIMENTAÇÃO INCORRECTA , acrescentaria eu, GENETICAMENTE INCORRECTA .
Mas então e o colesterol e as doenças cardiovasculares? Saiba que:
1º - É muito mais grave, para a sua saúde, do ponto de vista alimentar, uma alimentação demasiado rica em hidratos de carbono (mormente proveniente de cereais refinados ou integrais e batata) e em proteínas e gorduras erradas (leite, queijo, manteiga e yogurte) do que rica em carne vermelha magra e ovos. Na verdade, quer os cereais quer o leite e derivados que, são os grandes responsáveis pela promoção de níveis elevados de secreção insulínica (veja-se que alguma despudorada publicidade vem hoje sugerindo a toma de yougurtes com o argumento de terem eles um baixo índice glicémico, omitindo que em contrapartida eles têm um elevado nível de estímulo à secreção de insulina, confundindo AINDA índice glicêmico, com carga glicêmica e AQUELE FACTOR INSULINOGÊNICO SER SIM O PRINCIPAL PROBLEMA ) e, a prazo, pelo fenómeno de resistência à insulina que hoje agride mais de metade da população dos países mais desenvolvidos (leia-se UE e EUA). É este o fenómeno habitualmente denominado por síndrome X, ou síndrome metabólico e que está na origem da obesidade, das doenças cardiovasculares, da diabetes e outras doenças autoimunes. Também é por demais evidente que é obrigatória a presença na sua dieta de oleaginosas, ricas em ácidos gordos mono e polinsaturados, de muitas verduras e frutas sobretudo pouco doces mas ricas em vitaminas e antioxidantes como os frutos do bosque (mirtilos, amoras, groselhas e, em particualr, o Goji), para proteger o seu sistema cardiovascular dos danos que as alterações insulínicas lhe provocam;
2º - Que é hora do seu médico deixar de sobrevalorizar o colesterol e nas próximas análises ao sangue pedir para ser verificado o seu nível de homocisteína. Este sim é o verdadeiro risco de, em conjugação com níveis elevados de colesterol (e mesmo normais) o poder conduzir a um desfecho nefasto. Elevados níveis de homocisteína danificam a parede das artérias e das veias e apresentam-se, ainda, como factores trombogénicos maiores;
3º - Que os medicamentos anti-colesteremiantes podem produzir danos sérios em adultos e ainda maiores em crianças, tais como dano hepático, febre, dores musculares, rabdomiólise, perda de memória, alterações de personalidade, irritabilidade, dores de cabeça, ansiedade, depressão, dor toráxica, regurgitação ácida, vómito, boca seca, irritação ocular, tremuras, insónia, tonturas;
4º - Que a obesidade e as alterações metabólicas, como o colesterol, são facilmente preveníveis e mesmo reversíveis, com a alimentação correcta (não com cortes alimentares calóricos), com exercício fisíco (não necessariamente com ginásio) e com a suplementação correcta;
5ª – Se tem niveís de colesterol superiores a 220 mg/dl, deverá, sob orientação do seu terapeuta, iniciar a toma da dosagem correcta de um suplemento de Niacina de libertação gradual (uma das apresentações da Vitamina B3. Saiba que nem todas as apresentações vitamínicas valem o mesmo), pois este é o mais barato, isento de efeitos adversos e efectivo redutor do colesterol e dos triglicerídeos, bem como promotor do colesterol HDL . Nas palavras do Dr. Steven Nissen, que foi president do American College of Cardiology, "Niacin is really it. Nothing else available is that effective."
6º - Se tiver a sua homocisteína elevada, então tem de agir e agir rápido, pois um colesterol, mesmo que baixo, com niveís elevados daquele metabolito, é um sério risco cardiovascular. Para tal deverá fazer um metabolizador da homocisteína que a converta em cisteína ou metionina (estes mais não são do que inofensivos e úteis aminoácidos). Aqui deverá, sob orientação do seu terapeuta, iniciar uma suplementação de factores coenzimáticos e de grupos metiladores. São eles: a vitamina B6, a vitamina B12, o Ácido fólico, a betaína e a colina. Como em muitos pacientes está envolvido um factor hereditário relativamente à incapacidade do organismo eliminar a homocisteína, a suplementação com aqueles nutrientes deve revestir uma certa regularidade.
E não se esqueça, O SEU CORPO ESTÁ DESENHADO PARA FUNCIONAR COM NUTRIENTES NÃO COM MEDICAMENTOS. A ESCOLHA É SUA ...e a responsabilidade pelas consequências também!
(Artigo publicado na revista Saúde Actual Jan/Fev 2009)
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